domingo, 23 de dezembro de 2007

inverso


pelo inverso, o caramujo de arame
se aproximou da medusa

sábado, 22 de dezembro de 2007

medusa

esta memória de medusa estava no chão da varanda
deve ser apenas a marca de um pano esquecido
que se lembrou do mar

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

enroladas


devo admitir que as coisas andam meio enroladas



ou desenrolando

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

água


Acabo de passar no supermercado só para comprar água, mineral, gasosa natural, fonte São Lourenço, claro! O problema agora é que vou ter que esperar umas três horas para poder abrir... senão explode! Estão quentes e chacoalharam.

Mas, o que eu queria cometar é que hoje era a reabertura do supermercado do bairro depois que o Mambo virou St Marche. Não conhecia esta marca ainda, como seria? Fui lá, então.
Foi muito esquisito, tudo o que era vermelho virou verde. Só isso! Tudo bem, tiraram algumas prateleiras da boca dos caixas, mudaram alguns produtos de lugar, poucos. Estavam instalando as letras verdes nos painéis luminosos, com os mesmos dizeres dos vermelhos arrancados. Nem penduraram os logotipos ainda, eles só apareciam nos uniformes das novas pessoas que foram trabalhar lá. As pessoas, mudaram todas e elas estavam lá, trabalhando, sem nenhuma novidade nos rostos, estavam lá trabalhando no caixa, assim como os repositores de gôndola, os aplicadores de texto e todo o batalhão de gente que põe um supermercado funcionando. Senti falta do dono, de alguém que estivesse entusiasmado com aquela nova existência! Não vi ninguém, era tudo mecânico, função, gente contratada.

Agora, voltando às cores. Não sei porque se insiste em utilizar as mesmas cores do logotipo no espaço. Sim, claro que existe uma relação entre eles, o logo estará por toda parte, mas não precisamos entrar no logotipo, como se ele fosse uma caixa.
As cores precisam harmonizar todo o conjunto, as milhares de informações dos produtos, as plaquinhas de oferta, o plano elevado de visão (aquele que fica acima das prateleiras, que olhamos quando vamos procurar uma seção de produtos, ou quando estamos parados na fila do caixa, esperando) e o logotipo. Entra também a iluminação, as áreas de destaques, a ambientação para as áreas de produtos diferenciados... não precisa ser tudo branco/vermelho ou branco/verde!

domingo, 2 de dezembro de 2007

semente


Esta foi a primeira semente de tecido que fiz.
arame, espuma, carpete e veludo
ø50 x 80cm, 2003




quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Má





Hoje é aniversário dele, do Márcio
brilhante pensador
maior orgulho de tê-lo como filho




Mundo de Lygia

este enorme desenho, formato A1, é do Márcio
craque

terça-feira, 27 de novembro de 2007

possibilidades


diante da imensidão

fotomontagem, 2005

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

banana(s)



desvendando o mistério do crescimento da penca de cachos de banana(s)

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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

voando


semente de que?
de asas?
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terça-feira, 20 de novembro de 2007

ilustração


sim, eles existem!

sempre duvido desta existência, mas encontrar um destes revigora nosso imaginário

domingo, 18 de novembro de 2007

cores


cores do feriado


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

casulos do depois


casulos ígneos




fotocomposição: casulo em arame + bola de cristal sobre areia

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

conversa


conversa de hoje
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domingo, 11 de novembro de 2007

pedras



caminho das pedras
fotomontagem da Beá de desenho/costura que fiz


O que pensas das pedras? Ou melhor, o que percebes na pedra?

A pedra só é fria quando já virou tampo ou piso, uma pedra bruta jamais é fria, já reparou? A pedra é quente demais. Sabe o que eu penso? Que a pedra é uma manifestação, um instante paralizado no ato do acontecimento. Dá para imaginar? o tempo parou alí e quieto, vai se desfazendo, lentamente.

Já desenhei muito sobre isso, sobre a pariedade entre a pedra e as sementes e a questão de serem casulos. Casulo, a pele que proteje o ser enquanto ele muta. Processo que acontece a revelia da consciência, este véu-casulo venda, com suave gaze, quem está fora, assim como quem está dentro, ninguém sabe o que está acontecendo, mas sabe que está diferente. Não vê, está enclausulado pela pele dos olhos. Mas tá diferente. Os olhos da pulpa são os primeiros a se transformar, eles começam a ver diferente. Só depois começam a parecer diferentes.

E na pedra? O que muda? Ela vai despelando, lentamente o instante aprisionado se revela em tempo. E se esparrama sobre nós.

A semente já é puro conteúdo, alí dentro, compacto está um ser inteiro, que só precisa do tempo para se desenvolver. Mas, quer saber? Nunca foi propriamente a semente que me interessou, olho para a casca da semente, pro casulo. Que continua alí com o mesmo formato até se desfazer, apodrecer. Enquanto o ser cresce, o casulo apoderce e volta a ser terra.

Da pedra também mina a água, a pedra deixa a água escorrer. Na pedra não nasce nada, só caminha. Se caminha sobre as pedras, feito as águas. A água e o vento esculpem o tempo das pedras.

A pedra, de certa forma é o fogo. Contém o fogo, duas delas são capazes de libertá-lo. A pedra tem o calor, é o calor manifesto. Da memória da criação.

Será que podemos acessar nossa memória da criação? ...deve ser a mesma da morte. O nada. A possibilidade no escuro da não e da total consciência. O lugar vazio e pleno. Onde os opostos se deitam lado a lado e se tornam um. Lá onde se faz a criação. Pela morte. Pela dissolução.

Outra coisa que nasce das pedras são as cores. Todas elas. As que somos e que vemos. E as cores escapam e se misturam em novas combinações. O calor é outro que dá cor. O calor contido nas pedras.

A pedra continua sendo pedra mesmo partida em mil pedaços, só muito depois que vira areia...ou cor.

Sempre se cozinhou sobre pedras.

A pedra pode ser o casulo do fogo.
E o fogo pode ser o casulo do tempo

Enquanto houverem pedras, teremos tempo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

relações



relações intercasulais


experiências em arame

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

casulo


Esta é uma peça que fiz e a Beá fotografou quando veio aqui me visitar.

Ela deu o nome de casulo, mas não me lembro agora que nome eu tinha dado na época. Vinha das pinturas de sementes e da feitura de outros objetos-sementes, devia se chamar semente também, como todas as outras. Mas não importa, casulo é um bom nome.
Mas agora, que estou revendo estas imagens, acho que ela tem mais a ver com outra série, onde me debatia entre: pedra, ovo ou semente?




estrutura em arame, revestimento cobre e contas metálicas
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terça-feira, 6 de novembro de 2007

a olhar


Queria postar ainda hoje, 5 de novembro, mas um minuto me fez postar amanhã, o que tornou hoje, ontem... e talvez isso combine com o assunto: homenagem ao meu pai. Que me ensinou a reparar nas árvores. O que mais gostei aconteceu há alguns anos atrás. Ele, determinado, começou uma incrível renovação de suas árvores. Eram jabuticabeiras muito antigas, junto a algumas delas, ele plantou uma novinha. Alguns anos depois as velhas, como ele antevia, definharam, e as novas estão lá frondosas. As jaboticabas tem gosto novo.
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montagem de desenhos a nanquim

domingo, 4 de novembro de 2007

domingo



caminhar numa praça, num por do sol luminoso,




após um longo dia chuvoso



pode revelar



se reparar bem


muitos desenhos pelo chão.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

árvore


ontem a noite, depois da chuva
era só desviar

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Pan Dora


e, por pura curiosidade,
todos os males foram despertados
na pangéia
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montagem fotográfica feita a partir de registros
de uma série de pinturinhas modulares



as fotos originais foram feitas pela franka, quando eu estava desencaixotando os trabalhos
na montagem do atelier

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

alimentando o monstro

É, de fato, muito poderoso essa coisa de internet.
Como blogueira iniciante ainda me assusto e me entusiasmo com as ramificações que se abrem atrás e acima da minha máquina, uma coisa dita ou mostrada aqui ou ali se espalha em tentáculos que se cruzam, emaranham e encontram outros troncos. Uma fantástica selva de informações onde mora o monstro. Para chegar neste monstro e na sua estrondosa gargalhada, vou contar esta história que começou há alguns dias numa das conversas com minha amiga Beá.

A Beá é recém-bloqueira também e, duas principiantes, trocam informações. Escrevi:
“Estava pensando que a cada vez que inserimos uma imagem por nós produzidas na internet, de certa forma, alimentamos um ser gigantesco com nossos olhares, este ser que cresce em repertório somando milhares de olhares do mundo todo. Somatória de repertórios, massa de imaginário coletivo, pulpa do novo em constante gestação e renovação...
É bom fazer parte!”

A Beá respondeu:
“Estou há horas pensando neste monstro invisível que estamos alimentando com a nossa própria imaginação!
Me deu até um pouco de medo.”

E depois ela veio com esta. Contou que havia comentado sobre o monstro com um amigo, o Clode, e que ele havia incorporado o bicho na crônica dele de hoje

Beá:
“Uma amiga me falou que estamos alimentando um monstro virtual com a nossa imaginação.
É mesmo um pouco assustador.
Quanto a banalização, não há prazer maior, que ver tudo sendo lavado pela correnteza."

Clode:
“Tomei seu comentário - de que tanto gostei - por empréstimo para a croniquim de hoje, mais um barquinho correnteza abaixo. Ei-la:”

Fadas (leia na integra)

...“Estaria nossa imaginação "alimentando um monstro virtual", como sugeriu a amiga da amiga? O dragão da Lua de São Jorge artificial. Bip, bip, bip! - e o Sputnik daria outra volta, ele que passará eternamente com seu inconfundível bip, bip cinqüenta anos depois,sempre! "Quanto à banalização", assinala ainda a amiga, "não há prazer
maior, que ver tudo sendo lavado pela correnteza."...


E aí o monstro gargalhou, sabedor de seu poder muito maior que nossa falida tentativa de ter controle sobre alguma coisa.
Será tudo lavado e levado correnteza abaixo!

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

97




afazeresdomésticos





sábado, 27 de outubro de 2007

polvo



durante conversa de polvo, ontem

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

casulo


casulo b




casulo be




casulos bee


deeptico para/do casulo do guga

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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Deeptico





deeptico b


Hoje o Guga colocou no blog dele um deeptico em resposta aos dípticos. Sim, já entrei na brincadeira. A cicatriz dele me levou a este trabalho que fiz há alguns anos atrás. Foi feio em cinco partes. Cinco pedaços de papelão modulares, comecei com um e o desenho me pediu mais quatro.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

da janela




Olha que legal, acabei de receber da m.j. este desenho que fiz da janela do quarto das crianças lá da casa velha. Outro dia ela veio aqui, levou o desenho e disse que ia scanear e agora, aí está! Dá para reconhecer? é um trecho da Heitor Penteado vista da Vila Beatriz.

dípticos, mais fotos





terça-feira, 23 de outubro de 2007

dípticos



Tenho uma grande amiga escritora e ótima contadora de casos, a franka.
Já fizemos muita coisa juntas como faculdade, atelier, filhos, conversas e projetos.
Escrevemos o que daria hoje algo como cinco livros do tipo publicado. Depois de escrever este tanto, e falado outro tanto, resolvemos mudar de linguagem, fomos ao desenho. De volta ao desenho, ela e eu depois de tanto tempo. Na faculdade chegamos a fazer desenhos a quatro mãos, imensos cartazes para as palestras do tgi, cada uma desenhava de um lado, a cada tempo, invertia.

Mas agora que voltávamos, veio a questão: o que desenhar?
Ah, pergunta fácil: uma desenha a outra, oras. Isto durou anos, nos reuníamos e desenhávamos no mesmo tempo, com o mesmo material, sobre o mesmo papel do mesmo formato -geralmente um papel partido em dois- e praticamente com a mesma idade dos filhos. Isto para mulher quer dizer muita coisa, geralmente é a medida da autonomia.

Este material, que hoje enche uma gaveta de mapoteca, foi caseiramente fotografado, reduzido, recheado por alguns textos e encadernados em forma de um livrinho.
Chama-se Dípticos. Os desenhos estão lado a lado, os meus e os dela, quer dizer os desenhos que ela fez de mim e os que eu fiz dela.
Não vou ousar tentar escolher um dos dípticos para postar aqui, impossível.

Algum tempo depois, chamei alguns amigos e montei uma pequena mostra, com a ajuda de outra grande amiga Cmyk. Uma das salas foi inteiramente revestida, do piso ao teto, com os “originais” dos dipticos, dava até tontura- uma experiência e tanto!




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desculpe-me, franka, neste caso tarja não se aplica


registros verídicos



franka dorme, sob guarda, após estimulante disputa

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ventos de campos

achados
e recolhidos numa montanha de Campos


curioso, penso agora, que os campos estavam completamente floridos de cores vibrantes
e nenhuma flor sequer foi colhida


vento


o vento me presenteou com uma de suas possíveis formas




que encontrou semelhança por entre outras

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se repararem bem, uso este talismã-vento como bracelete na luta com a franka

domingo, 21 de outubro de 2007

orelhas II


Entre as sementes de orelha de macaco de São Miguel das Missões,
encontrei uma dupla, encaixada.





Não podia deixar que apodrecesse, queria mais tempo.
Dupliquei-lhe a forma, hoje é de latão.




ficou mais pesada, mais fria e não chocalha ao ser chacoalhada, pena,
pudera, é apenas um simulacro.
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